fernandosoares_05-09-2018

Edições anteriores

UM DEBATE SEM VENCEDORES

 

 

 

O debate dos candidatos ao governo, realizado pelo Midiamax, na segunda-feira, nivelou o processo eleitoral, que entra na prova dos seis sobre o papel que a mídia vai cumprir, a partir de agora. Ao trazer a campanha para a casa dos sul-mato-grossenses, num formato familiar e conhecido da população, percepções se cristalizam sobre cada candidato e injetam mais realidade do que as redes sociais conseguem. Não se pode eleger vencedores, mas pode-se dizer quem são os perdedores deste palanque televisivo.

Com seis candidatos em cena e as aparições mais diluídas, não houve palco para Odilon de Oliveira se sobressair como se esperava, nem positiva e nem negativamente. Teve dificuldade de se expressar e trouxe os mesmos argumentos de sempre, com números que já defende em suas palestras e um tom de voz com dupla mudança.

O desempenho do tucano Reinaldo Azambuja, que procurou mostrar o que fez diante da crise que assola o País, é uma incógnita. Visivelmente tenso, Reinaldo viu no debate que ele não conseguirá fugir do calvário de ser identificado com temas polêmicos que marcaram seu mandato. Mas estava coerente, equilibrado, e foi o tempo todo atacado, com números “maquiados” pelos adversários, causando-lhe irritação.

O mesmo vale para Júnior Mochi, que se esforçou para mostrar que estava cumprindo uma missão, em substituir André Puccinelli, e procurou se destacar mostrando seu trabalho como presidente da Assembleia Legislativa, enfatizando que, pela primeira vez, devolveu parte do duodécimo ao Estado. Teve até tentativa de Mochi tentar desmistificar o atual governo, com quem sempre caminhou, perdendo a chance de dizer a que veio. A sua voz, de tão cansada, me lembrava a dos padres de minha infância. Me deu um sono...

Marcelo Bluma, por sua vez, repetiu o mesmíssimo discurso que apregoava nas outras eleições, atacando o governo, e fazendo o aceno de sempre.

 

Mas, para aqueles que estão acessando a campanha política somente agora, ela ainda pode estar mais próxima do ideal de um candidato ao governo.

João Alfredo também pode disputar um pedaço dos indecisos, mostrando que quando era vice-prefeito de Ribas do Rio Pardo rompeu seu mandato com o executivo e ainda denunciou os vereadores daquela cidade, por corrupção, fazendo as platitudes que lembravam o discurso do PSTU, como a auditoria nas contas do governo, uma desculpa que a gente ouve desde o slogan contra burguês, vote 16.

A candidatura do PT, achei um pouco fragilizada. Humberto Amaducci revelou-se um homem preparado para comandar um município, e não um Estado. Também fica em xeque, pouco questionado nos primeiros blocos do programa, em que, pelo menos três dos candidatos (Marcelo Bluma, João Alfredo e Humberto Amaducci), parecia que estavam mais numa audiência de acordo, para fazer oposições ao governador.

Para além das especulações, que só serão dirimidas numa próxima pesquisa eleitoral, as três horas de debate só confirmaram que as eleições de 2018 são o pleito em que os sul-mato-grossenses (que não desistirem de votar) escolherão o menos pior. Depois de tantas cambalhotas no cenário político, desde 2014, há um couro mais curtido entre o eleitor que já se iludiu ou foi enganado por discursos de lobos em pele de cordeiro, durante a campanha. É a eleição mais angustiante da democracia recente, em que ninguém se atreve a ter certeza sobre quem vence no primeiro turno ou estará no segundo turno, em outubro.

O coração está na boca e o desafio principal é não permitir retrocessos maiores dos que o Estado já viveu até aqui. Não é só um debate que vai definir essa percepção, mas o noticiário que vem a reboque. Acompanhamos nos flashes de hoje, essa história da democracia sul-mato-grossense, que sempre defendemos...

 

 

Fotos: Gabriel Santos

No debate, o jornalista Eduardo Grilo sabatinou os seis candidatos ao governo

     

O empresário Carlos Naegele e o jornalista Eduardo Grillo, ex-âncora do Jornal das Dez, da Globo News

 

O candidato ao governo, Odilon de Oliveira, e a esposa, Divina

 

Terezinha e o marido, candidato ao governo pelo PT, Humberto Amaducci

 

Os advogados Thiago Nascimento e Marcos Lopes estavam lá para analisar o direito de resposta de cada candidato

 

O governador Reinaldo Azambuja e a esposa, Fátima

 

Luciane Pina e o marido, candidato ao governo, Marcelo Bluma

 

Tânia Garib e o candidato ao governo, Junior Mochi

 

O arcebispo da Capital, Dom Dimas Lara, o escritor Henrique Medeiros e o desembargador Ruy Celso Florence acompanharam as propostas dos candidatos

 

 

 

NOITE DE CELEBRAÇÃO
Histórico - é o que se pode afirmar sobre a apresentação do Grupo Acaba, na quinta-feira, 30, no superlotado auditório da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras. Era mais um Chá Acadêmico, um projeto da ASL. Moacir Lacerda & Cia engataram a marcha da riqueza melódica e geocultural do grupo cinquentenário, ganhando o reforço especial nas participações de Johny Medeiros, Marcelo Fernandes, Zè Geral e Rubênio Marcelo.
 

TRIUNFO
Mais uma medalha de pódium para Bara Carlino. No final de semana, o aplicado representante de Mato Grosso do Sul conquistou o segundo lugar na dificílima prova dos 1000 metros, enfrentando qualificados nomes do ranking nacional, durante o Campeonato Brasileiro de Canoagem e Paracanoagem, em Curitiba.
 

CENÁRIO
 Sem Lula concorrendo e com Fernando Haddad como candidato do PT, Ciro Gomes (PDT) iria para o segundo turno contra Jair Bolsonaro, nas eleições 2018, mostra a nova pesquisa eleitoral do BTG Pactual, divulgada no domingo (3). Bolsonaro teria 26% dos votos, enquanto Ciro teria 12%. Logo depois, viria Marina Silva (Rede), com 11%. A pesquisa não trouxe simulações de intenção de voto para as prováveis disputas do segundo turno.

 

ADEUS
Na quinta-feira, 30, morreu no Rio de Janeiro o carioca-cuiabano Vladimir Dias Pino, um dos mais importantes poetas (pioneiro do concretismo) e artistas visuais do Brasil. Tinha 91 anos. Com 11, já morava em Cuiabá. Ele esteve presente em alguns dos momentos artísticos mais importantes do País, como a Exposição Nacional de Arte Concreta de 1956, em companhia de gente como Haroldo de Campos, Ferreira Gullar e Augusto de Campos. Foi amigo de Manoel de Barros e Silva Freire, duas das maiores personalidades da literatura dos dois Mato Grosso.
 

PENSAMENTO DO DIA
“Nesta vida, temos três momentos importantes. O momento feliz, o momento triste e o momento difícil. O momento feliz mostra o que não precisamos mudar. O momento triste, o que precisamos mudar. O momento difícil, mostra que somos capazes de superar”.
 

NA LEMBRANÇA
O rei Luís XIV da França nasceu em 5 de setembro de 1638, para se tornar o Rei Sol, entre 1643 e 1715, quando personificou o auge do absolutismo francês, invadindo os Países Baixos e fortalecendo o país como potência política, econômica, cultural e artística. Luís XIV tinha uma curiosa frase, aplicável a qualquer pessoa que ocupe um cargo de comando: "Toda a vez que preencho um posto vago, produzo cem descontentes e um ingrato".